sexta-feira, 27 de maio de 2011

ÉTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL




ÉTICA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
O artigo tem por objetivo discutir sobre a má formação infantil derivada do atual contexto social. As crianças não têm mais a mesma liberdade de tempos atrás. As brincadeiras eram criadas por elas, sendo algo espontâneo e, de certa forma, “saudável” para sua formação. Hoje, a diversão infantil limita-se a jogos de computador, de maneira a evitar que elas saiam de casa. A situação do país exige que os pais tenham sua atenção voltada para o lado profissional, o que torna seu tempo escasso para se dedicarem a seus filhos que, por sua vez, acabam tendo uma educação defasada, cuja base é a escola e a televisão. É possível perceber hoje que alguns casais planejam filhos, mas não assumem a responsabilidade de educá-los, e esse comportamento não é ético. Segundo Tânia Zagury, ética, na essência de sua palavra, significa “o modo de ser, a relação intersocial com seus parâmetros de vida” , o que reflete diretamente no comportamento e na formação de cada um. É de suma importância alertar os pais que é preciso dar amor, arrumar tempo para ficar ao lado do filho, perguntar se está bem e como foi na escola, por exemplo, porque a comunicação no âmbito familiar é essencial para a formação das crianças.
Palavras-chave: ética, filhos, pais, escola, mídia e educação.
1. INTRODUÇÃO
“Ética é um conjunto de decisões, princípios e valores destinados a guiar e orientar as relações humanas”. Esses valores devem ter característica universal, pois têm de ser válidos para todas as pessoas por tempo indeterminado. No entanto, este conceito não tem sido posto em prática, inclusive na criação dos filhos.
Nas últimas décadas, a escola e a mídia vêm assumindo praticamente sozinhas um papel que deveria ser partilhado com os pais: o de educar as crianças para a cidadania. A sociedade sofreu transformações e, com isso, mudaram os valores éticos inseridos nela, sendo, inclusive, refletidos nas relações familiares.
Antigamente, cabia à escola a transmissão da cultura (tendo o professor como centro de conhecimento) e à televisão só restava a função de entretenimento. Hoje, no entanto, o papel de transmitir valores morais às crianças, antes realizados pelos pais, passou a ser indiretamente executado pela escola e pela mídia.
Não que os pais estejam acomodados com a situação. O que acontece é que eles trabalham mais e passam menos tempo com os filhos. A mãe que antes ficava em casa e ensinava valores éticos agora trabalha fora e, em alguns casos, é quem sustenta a família.
Segundo a pesquisadora Tânia Zagury, os pais, pelo fato de se sentirem culpados por essa ausência, ao chegarem do trabalho, acabam tornando-se permissivos, deixando de estabelecer limites e mostrar o que é certo ou errado.
Muitas vezes, os pais deixam de ensinar seus filhos a girem com ética, porque na sociedade contemporânea os valores éticos estão invertidos e eles temem que seus filhos sejam rotulados de “bobos” de maneira que os antiéticos são considerados os mais espertos, logo os mais privilegiados.
Cada vez mais cedo, os pais procuram dar estímulos para o filho não ficar para trás. Isso faz parte de uma sociedade competitiva inserida num mundo globalizado.
2.OS PILARES DA EDUCAÇÃO INFANTIL
2.1. A FAMÍLIA
“Educar é promover o crescimento e o amadurecimento da pessoa humana em todas as sua dimensões: material, moral e religiosa”. Por isso educação se aprende, principalmente, no ambiente familiar. Porém atualmente, muitos relacionamentos familiares sofrem com conflitos de idéias e mal-entendidos, ate o ponto das relações serem profundamente afetadas ou mesmo destruídas.
A principal carência dos jovens é a falta de ética dos pais, pois estes deixam de dar amor e atenção aos filhos. Essa necessidade de afeto acontece sobretudo pela ausência e omissão dos destes. Observa-se um dos principais erros cometidos por eles: não ter tempo para os filhos. Os adultos trabalham tanto, que o pouco tempo que sobra, eles precisam descansar e acabam evitando as crianças. Os pais esquecem que educar os filhos significa estar com eles e acompanhá-los no dia a dia.
Os pais a fim de suprir sua ausência na educação dos filhos, assumem comportamentos que acabam por confundir e desestruturar as crianças. Alguns adultos parecem não querer enxergar os problemas. Às vezes, a criança esta sendo inconveniente, incomodando a todos com maus hábitos e, mesmo assim, o pai e a mãe não tomam nenhuma providencia. Algumas pessoas têm a mania de exibir os filhos como se fossem os melhores, e outras não têm coragem de assumir que cometem erros, pois sentem vergonha de pedir perdão aos filhos.
Os pais, por terem essa atitude acabam tornando-se negligentes. A negligencia psicológica segundo Belsk (1993, p. 295) “é a incapacidade de fornecer a criança apoio emocional, amor carinho e afeto”.
Muitas vezes, os pais agem assim por sentirem-se culpados pelo insucesso do filho que foi gerado e criado por eles, sendo, portanto um produto dessa criação. Esse produto reflete a (in) competência da família no processo formativo do indivíduo.
2.2. A ESCOLA
Segundo Luiza Laforgia Gavaldon (1999, p.15), “educação é saber se comportar e aprender; é a transmissão dos usos e costumes da sociedade em que se vive, sendo que essa transmissão é levada pelos mais velhos aos mais novos”.
Algumas pessoas julgam que a escola não deveria se preocupar com a educação social e moral, mas centrar-se no ensino de temas acadêmicos ou na promoção do desenvolvimento intelectual da criança. No entanto, a escola acaba tendo essa função, quer pretenda fazer isso ou não, até porque na sociedade atual essa é uma expectativa criada pelos pais.
Devido à falta de tempo que as pessoas têm tido para cuidar de seus filhos e lhes ensinar valores éticos, elas acabam por transferir essa responsabilidade para a escola. Diversas vezes, inclusive, optam por estabelecimentos que cuidam de seus filhos em tempo integral.
Dessa maneira, as crianças têm suas necessidades intelectuais, emocionais e fisiológicas atendidas pelo professor e pelos colegas de classe. Sendo assim, o ambiente familiar deixa de estar presente de maneira suficiente na vida dessas crianças, o que tem grande influência no seu desenvolvimento e formação.
Através das interações diárias com os filhos, os pais determinam a natureza do ambiente sócio-moral. Quando este ambiente é determinado pelo professor, este organiza a sala para atividades individuais e de grupo relacionando-se com as crianças de modo autoritário ou corporativo.
É necessário, no entanto, que o professor tenha consciência plena de sua autoridade em sala de aula, mostrando, de forma clara, quais caminhos deverão ser seguidos pelos alunos.
Num mundo como o de hoje, onde os valores estão em transição e as pessoas “perdidas” na permissividade, faltam limites que estabeleçam equilíbrio nas relações entre elas, sendo, portanto, necessário que sejam respeitadas, facilitando assim a convivência.
2.3. A MÍDIA
A televisão tem um papel fundamental no mundo globalizado. Por ser um meio de comunicação bastante acessível, cada vez mais, ganha espaço na maioria dos lares de diversas classes, tornando-se um fenômeno social e cultural.
A televisão é uma das principais fontes de informação do país e as crianças são, em maioria, o público alvo. A TV supre nelas a falta dos pais, tornando-se uma fonte fundamental de integração social. Elas se identificam com os estereótipos e personagens apresentados, trazendo graves conseqüências para sua formação.
Em ambientes familiares deficientes, a TV se torna um atrativo para compensar as carências e frustrações sofridas em casa. É possível demonstrar também o papel do professor assumido pela TV. Na maioria das vezes, ela é a responsável pela transmissão de valores e conhecimentos que trazem malefícios às crianças, como o amadurecimento precoce e a banalização de assuntos como sexo e violência. São imagens que, a partir de então, passam a interferir na construção da personalidade, do caráter e na maneira do público infantil se ver e entender o mundo a sua volta.
Quem decide que programa é bom ou não para a criança é ela mesma. Uma pesquisa feita pelo diretor-executivo do Ibope Mídia, Flávio Ferrari (2000, p.21), revelou que os dez programas de maior audiência entre as crianças de 2 a 9 anos são todos destinados a adultos. Esse grupo etário é um doa que mais assistem à televisão. Eles passam mais tempo em frente a TV do que na escola ou com os próprios pais.
Dessa maneira, torna-se explícito um dos motivos da má formação infantil nos dias atuais: a mídia. A influência desta na educação infantil, muitas vezes, tem como reflexo as deturpações da idéia de como devem ser os princípios e o comportamento das crianças, que serão os futuros adultos e transmissores de valores da sociedade.
CONCLUSÃO
Quase que inconscientemente, os pais transmitem para as crianças o seu comportamento e o seu equilíbrio. Toda a segurança e apoio dos filhos estão nos pais, porém não se pode culpá-los por tudo, pois é difícil criar e educar um filho devido à sociedade de consumo em que vivemos.
Com a mudança dos costumes e a vinda de novos valores, houve uma reestruturação da sociedade. Hábitos foram mudados; o que antes agredia, hoje pertence à normalidade. Essas transformação acabaram por refletir não só nas famílias, mas também nas escolas e na mídia.
A realidade social é o fator determinante para a má formação da educação infantil, já que exige das pessoas uma vida mais atribulada, ocasionando a falta de companheirismo, amor e união entre as mesmas.
As famílias passaram a ser formadas sem dar importância aos valores sentimentais; tornou-se algo mecânico casar e ter filhos. Então, a educação infantil acaba por ser de responsabilidade das escolas e da TV que, indiretamente (ou diretamente), determinam a formação das crianças.
As pessoas serão mais realizadas se a educação for transmitida às crianças por um processo consciente, principalmente gerado pelos pais, não transferindo essa responsabilidade à escola e, de certa forma, à mídia.
LARA MENDES E ROSEANE GOMES

BIBLIOGRAFIA
BEZERR, Wagner. Manual do Telespectador Insatisfeito. 1.ed. São Paulo: Summus, 1999.
DE VRIES, Rheta; ZAN, Betty. A Ética na Educação Infantil: um ambiente sócio-moral na escola. 1.ed. Porto Alegre: Artmed, 1998.
GAVALDON, Luiza Laforgia. Desnudando a Escola. 1.ed. São Paulo: Pioneira, 1997.
PAPALIA, Diane; OLDS, Sally; FELDMAN, Ruth. O Mundo da Criança. 8.ed. Portugal: MC Graw Hill, 2001.

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